Paloma Coelho

sábado, 5 de maio de 2012

Especial sobre a Cirurgia bariátrica e metabólica. Parte IV



• Consulta pré-anestésica
Realizada uma semana antes da cirurgia, a consulta pré-anestésica serve para o médico conhecer o paciente e rever seus exames e a avaliação clínica já feita, com a finalidade de prevenir quaisquer problemas durante o ato operatório.  Esse procedimento possibilita ao especialista conhecer eventual histórico de cirurgias, alergias e reações à aplicação de anestesias. Além disso, permite ao paciente conhecer o médico que vai anestesiá-lo e esclarecer todas as suas dúvidas.

• Fases da anestesia
1. Indução anestésica 
Nessa etapa, o paciente recebe os primeiros medicamentos para o início da cirurgia. Já dentro do Centro Cirúrgico, o médico punciona uma veia do braço do paciente por onde são ligados todos os aparelhos que irão controlar os parâmetros vitais (pulsação, pressão arterial, respiração, concentração de oxigênio e gás carbônico no sangue etc.). É administrado oxigênio sob máscara, e na veia puncionada são aplicados medicamentos para o paciente dormir. Em seguida, é feita a entubação orotraqueal, que consiste na introdução de um tubo plástico na traqueia do paciente, o qual será conectado ao aparelho de anestesia. É por esse tubo que ele respira e recebe os gases anestésicos durante a cirurgia.
2. Fase transoperatória 
O paciente recebe um fluxo constante de gás anestésico e oxigênio ou ar. A quantidade de gás recebida pelo paciente é determinada pelo anestesista e mantida em níveis constantes pelo aparelho de anestesia chamado “carrinho de anestesia”.  O anestesista acompanha sinais vitais, a dosagem adequada de anestesia para a cirurgia e também o nível de hidratação do paciente. Também são administradas quantidades de soro adequadas para manter estável a pressão arterial e o perfeito funcionamento dos rins. Por essa razão, muitos pacientes costumam urinar bastante no pós-operatório.
3. Recuperação pós-anestésica
É a fase de despertar do paciente após a cirurgia. A inalação de gases anestésicos é suspensa e inicia-se a fase de recuperação.  A recuperação pode ocorrer na Sala de Recuperação do Centro Cirúrgico ou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O anestesista e o cirurgião decidem qual é o local mais adequado para cada paciente.
 

• O preparo pré-operatório otimiza a segurança e os resultados da cirurgia bariátrica e metabólica. Solicita-se ao paciente que se esforce para perder um pouco de peso antes da cirurgia, pois alguns quilos a menos podem oferecer melhores condições à anestesia geral e à operação.
• Nessa fase, também é obrigatório o preenchimento do documento Consentimento Informado, no qual o paciente reconhece estar devidamente informado sobre os benefícios e riscos da cirurgia.
• No pré-operatório, o paciente deve realizar uma série de exames, como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e exames laboratoriais, além de passar em consulta com os profissionais obrigatórios: cirurgião, cardiologista, psiquiatra, psicólogo e nutricionista.

•  O paciente deve fazer consultas e exames laboratoriais periódicos no pós-operatório, conforme o tipo de cirurgia e as rotinas estabelecidas pela equipe responsável. Em caso de comorbidades, elas devem ser acompanhadas por profissionais especialistas nessas doenças.
•  No pós-operatório, recomenda-se ao paciente atividade física e complemento vitamínico. E, nas operações abertas, recomenda-se ainda o uso da faixa abdominal.
• Embora muito raramente, a cirurgia pode gerar complicações, como infecções, tromboembolismo (entupimento de vasos sanguíneos), deiscências (separações) de suturas, fístulas (desprendimento de grampos), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas) e pneumonia. Além disso, sintomas gastrointestinais podem aparecer após a refeição. Os pacientes predispostos a esses efeitos colaterais devem observar certos cuidados, como reduzir o consumo de carboidratos, comer mais vezes ao dia – pequenas quantidades –, e evitar a ingestão de líquidos durante as refeições. 
•  Pacientes submetidos à cirurgia de duodenal switch podem apresentar reações no pós-operatório, como desnutrição, fezes de forte odor e diarreias, pois essa é uma operação que privilegia a má absorção de alimentos.

Acompanhamento nutricional
O nutricionista tem papel fundamental no acompanhamento do paciente rumo à cura da obesidade. Esse profissional deverá prestar toda a orientação necessária para a dieta líquida pós-operatória, sua evolução para a pastosa e, finalmente, sua transição definitiva para a alimentação normal. 
O paciente deverá aprender a comer pouco e bem, várias vezes ao dia, e optar por alimentos pouco calóricos e com alto teor vitamínico, abandonando hábitos nocivos.
A reeducação alimentar ajudará não só a perder peso, mas também a mantê-lo em patamares adequados por toda a vida. O paciente não está proibido de consumir doces, refrigerantes ou outras guloseimas de vez em quando, porém esses alimentos não devem fazer parte de sua rotina e a quantidade deve ser controlada.
Acompanhamento psicológico
O foco do acompanhamento psicológico deve ser sempre preventivo e educativo. É necessário considerar o aparecimento de novos fatores de estresse, como ansiedade, ciúmes do parceiro, desejo de liberdade etc., após a cirurgia.  Além disso, o paciente pode criar expectativas que não serão atingidas com a perda de peso, simplesmente porque dizem respeito a certas frustrações ou imaturidade diante da vida.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. 



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